Atualidades para Enem e vestibulares


O aumento das queimadas no Pantanal tem sido significativo nos últimos anos, mas em 2020 o número se tornou ainda mais preocupante. Neste mês de setembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que as queimadas na região atingiram o recorde, com mais de 16 mil focos de incêndio.

As queimadas de 2020 já destruíram mais de 2 milhões de hectares na região, o que corresponde a 15% do bioma. Em relação ao último ano, o aumento é assustador: mais de 60,8% de queimadas em nove meses.

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A região possui um bioma riquíssimo, concentrando milhares de espécies de animais, vegetação típica e ainda é base de economia para a população local por meio do turismo, das atividades pesqueiras e a ocorrência da pecuária.

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De acordo com a professora de Geografia e Atualidades do Colégio Oficina do Estudante, Andreza Bernardi, os impactos que estão sendo causados no Pantanal podem ser irreversíveis. “Apesar de haver a possibilidade de regeneração da flora em algumas localidades, a perda de extensas áreas com cobertura vegetal causa queda na evapotranspiração, aumento dos poluentes na atmosfera e perda da diversidade vegetal”, afirmou.

Parte da vegetação do Pantanal, em Mato Grosso, após queimadas

Animais estão morrendo, pessoas estão sendo desabrigadas e a fumaça das queimadas já atingem as cidades, sendo extremamente prejudicial à saúde humana. Com isso, a situação do Pantanal, assim como dos biomas Amazônia e Cerrado, que também estão sofrendo com as queimadas neste período, é muito preocupante.

Com o auxílio das professoras do Colégio Oficina, Andreza Bernardi (Geografia e Atualidades) e Paula Gadioli (Biologia), produzimos um material para ajudar os estudantes a entender a importância do Pantanal, as causas das queimadas, quais os impactos de tudo o que está contecendo para a sociedade e meio ambiente, e como esse tema pode ser cobrado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibulares.

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Importância do Pantanal

O Pantanal é um dos biomas mais importantes do Brasil e do mundo e é extremamente rico quando se trata da fauna brasileira. A região abriga grande parte dos animais existentes no país, com mais de 1,2 mil espécies de animais nativos e dezenas deles em extinção.

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Em suas dimensões, o Pantanal chega a cerca de 220 mil km², sendo que 120 mil km² estão em solo brasileiro, nos estados do Mato Grosso do Sul (65%) e Mato Grosso (35%), na região Centro-Oeste. O Pantanal também abrange os países da Bolívia e Paraguai, que fazem fronteira com a região. 

A importância do Pantanal, além da fauna e de sua rica vegetação, também se destaca como uma das áreas contribuintes para a redução do aquecimento global, já que sua capacidade de absorção do carbono ajuda a conter o efeito estufa. As características do local levaram a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a considerar o Pantanal como Patrimônio Natural e Reserva da Biosfera Mundial.

Áreas inundadas são as principais características do Pantanal

A principal característica do bioma é a planície inundada, mas também há a presença do Cerrado, Caatinga e Floresta Tropical. A área do Pantanal é cercada por planaltos com elevada altitude, o que faz o bioma ser a nascente de vários rios pantaneiros, e possuir a característica de inundações.

A paisagem da região é diversificada, possui árvores de médio e grande porte, assim como árvores tortuosas, comuns no Cerrado. Também há vegetações aquáticas, muitas utilizadas de forma medicinal. Além disso nas matas ciliares a vegetação é densa e possui muitas árvores altas.

Causas dos incêndios

Essa é uma região que possui duas estações climáticas muito bem definidas. Ocorre o verão, com grandes chuvas, tempo úmido e inundação das planícies. A outra estação, o inverno, tem poucas chuvas, a umidade do ar fica muito baixa e o clima extremamente seco.

É no período do inverno que as queimadas costumam surgir em maior número, já que o tempo seco facilita para que os incêndios possam se propagar. No entanto, as ações do homem também interferem no aumento das queimadas, agravando ainda mais a situação. 

Por isso, as origens do fogo no Pantanal são causadas tanto pelos aspetos naturais da região como pelas atividades exercidas pelo homem no local, principalmente pelo desmatamento e da transformação de áreas vegetais em pastos para a prática agropecuária.

Segundo a professora Andreza, os atuais incêndios no Pantanal têm causas humanas, geralmente relacionadas ao desenvolvimento e à expansão de atividades agropecuárias: prática da queima da área de pastagem, incêndios em equipamentos agrícolas e fogo nas raízes das árvores para extração de mel. Mesmo que essas atividades sejam frequentes na região, muitas vezes são feitas de forma ilegal e as consequências têm sido grandes.

“Apesar de o fogo poder ser utilizado em alguns casos, como forma de manejo, há a necessidade de autorização prévia dos órgãos públicos competentes para utilização da técnica, fato que tem sido negligenciado”, informou a professora.


Neste ano, o clima registrado foi ainda mais seco que o de costume, assim como o nível de chuvas muito abaixo. Consequentemente, houve a contribuição do aumento das queimadas, chegando ao número recorde informado pelo Inpe.

Dos mais de 2 milhões de hectares queimados, 1,2 milhão está registrado no Mato Grosso e mais de 1 milhão no Mato Grosso do Sul. O aumento começou a se tornar mais preocupante em julho, quando a umidade do ar era registrada abaixo de 10%. Neste período, queimadas começaram a ser registradas em propriedades privadas da região.

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Fauna e os impactos

Uma das maiores preocupações com os incêndios na região do Pantanal está ligada à sua riquíssima fauna. Por conter espécies raras de animas, a região já sofre com fatores, como a caça e a pesca, que, mesmo proibidas em algumas situações, ainda são frequentes no local e contribuem para a extinção de alguns animais.

Tamanduá resgatado por equipes de busca no Panatnal (Crédito: Juliana Carvalho/Secam-MT)

Com os incêndios, muitos animais estão morrendo queimados ou por falta de alimentação e água. Além disso, os hábitats estão sendo perdidos e o ecossistema da região sofrendo alterações. De acordo com a professora de biologia, Paula Gadioli, as consequências virão em médios e longos prazos.

“A preocupação não é apenas com a morte direta dos animais incinerados ou mortos por asfixia, mas também com as consequências a médio e longo prazo, já que com a destruição de seus hábitats há uma consequente alteração das populações, uma vez que as queimadas estão eliminando as fontes de alimento, bem como os locais de abrigo, repouso e reprodução dos animais”, afirma.

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Entre as espécies presentes no Pantanal, é possível encontrar mamíferos, répteis, aves, anfíbios e peixes. Entre eles, estão alguns dos seguintes animais: 

  • Mamíferos: mais de 130 espécies entre antas, capivaras, veados, onças-pintadas, morcegos;
  • Répteis: mais de 80 espécies, sendo a maior variedade de jacarés;
  • Aves: mais de 400 espécies entre tucanos, araras, tuiuiú, carão;
  • Anfíbios: mais de 30 espécies como a rã verde;
  • Peixes: mais de 200 espécies de pacu, pintado, bagre, traíra, dourado, piau, jaú (o maior da região).

Entre toda a atual situação enfrentada pelas queimadas na região, a professora também relembrou a presença do Parque Estadual Encontro das Águas. No local há a maior concentração de onças pintadas do mundo e mais de 80% do território foi destruído pelas queimadas, de acordo com dados da ONG SOS Pantanal. 

Onça-pintada é um dos animais do Pantanal que sofre risco de extinção

“A onça pintada (Panthera onca) é um dos animais em risco de extinção, juntamente com a onça parda (Puma concolor), que já sofriam com a caça punitiva. Além destes, o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), a ariranha (Pteronura brasiliensis) e o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) também estão nas listas de ameaçados de extinção”, comentou Paula.

Veja mais: Queimadas no Pantanal: a luta pela sobrevivência do maior felino das Américas em meio aos incêndios

Fumaça e a população

Fumaça das queimadas chegam às cidades (Crédito: Mayke Toscano/Secom-MT)

Um outro fator preocupante é a fumaça proveniente das queimadas. Nos últimos dias, algumas cidades, já incluindo também a região Sul e Sudeste do país, relataram que houve uma chuva de tom escuro.

De acordo com o Inpe, essas partículas de fumaça são liberadas na atmosfera e levadas pelos ventos para as demais localidades. No entanto, além do Pantanal, a Amazônia e o Cerrado também têm sofrido com queimadas, contribuindo mais ainda para a ocorrência desse tipo de fenômeno.

Mais: Chuva preta e dias escuros: como queimadas no Pantanal e Amazônia podem afetar outras regiões

Essa fumaça que chega às cidades é altamente prejudicial à saúde da população. Podem acarretar novas doenças ou piorar quadros de situações já existentes, como até mesmo a situação de pandemia do coronavírus.

“As queimadas podem liberar diferentes gases tóxicos, como óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos, monóxido de carbono e dióxido de enxofre, além de material particulado. Essas substâncias podem causar problemas a curto, médio e longo prazo, provocando desde problemas oftálmicos, doenças dermatológicas, cardiovasculares e pulmonares, até câncer, devido aos efeitos carcinogênicos de substâncias tóxicas liberadas”, informou a professora de biologia.

Veja também: A relação entre impactos ambientais e o surgimento de doenças

Além disso, as queimadas alteram totalmente as questões ambientais como a temperatura, o que pode influenciar na vegetação, populações animais e, consequentemente, na distribuição de insetos vetores de doenças.

Já nas áreas atingidas pelo fogo, além dos animais, os moradores ribeirinhos também são diretamente afetados, ficando desabrigados e necessitando, em alguns casos, de serem resgatados. 

Veja: Famílias ribeirinhas são resgatadas de incêndios nos Pantanal

Enem e Vestibulares: Como o Pantanal pode cair nas questões de Biologia e Geografia?

A prova do Enem costuma cobrar assuntos relacionados às questões sociais, saúde, direitos humanos e meio ambiente, assim como muitos vestibulares grandes do país. Com isso, as professoras Andreza e Paula selecionaram algumas formas que este assunto pode ser abordado em provas.

Lembrando também que o Meio Ambiente pode ser até tema de redação. Em 2001 e 2008 o Enem teve como proposta assuntos ligados às questões ambientais (2001: Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito? | 2008: Máquina de chuva da Amazônia).

Confira os destaques das professoras:

Biologia

– Cobrança de conceitos mais simples sobre organização biológica, como a definição de bioma e ecossistema, bem como a localização, características e importância do Pantanal;

– Questões que abordem a análise da problemática socioambiental, como as causas e consequências das queimadas;

– As perguntas podem ser mais simples, diretas e objetivas exigindo do aluno apenas o entendimento dos conceitos biológicos, até questões que exijam maior número de habilidades, como análise de tabelas e gráficos que mostrem o andamento e as consequências das queimadas ao longo dos tempos;

´- O tema das queimadas pode aparecer direta ou indiretamente nas redações, abordado dentro do quadro de problemática socioambiental. Os estudantes que conseguirem fazer uma análise mais profunda deste quadro, saindo da superficialidade dos discursos sobre educação ambiental comportamental e adestradora, mas aprofundando na causa do surgimento dos problemas socioambientais, como a discussão sobre a construção da sociedade antropocêntrica ao longo da história, com a consequente dicotomia homem x natureza, podem sair em vantagem.

Mais: Faça exercícios de Biologia para testar seus conhecimentos

Geografia

– Podem cobrar as características dos biomas brasileiros, a atuação dos “rios aéreos” ou “voadores” e as consequências ambientais das queimadas na Amazônia e no Pantanal;

– A expansão do agronegócio no Brasil e as características da estrutura fundiária nacional configuram assunto atual e importante, já que a convivência da agropecuária empresarial e de subsistência intensificam as desigualdades presentes no campo brasileiro;

– Conhecimento do histórico das políticas ambientais nacionais, da criação de projetos de desenvolvimento econômico em áreas de formação florestal, da participação e atuação do Brasil nas Conferências Ambientais da ONU e dos efeitos da política nacional nas relações econômicas e diplomáticas poderão ser avaliados. Cabe ressaltar que a temática do desenvolvimento sustentável e dos meios de sobrevivência das populações tradicionais nos diversos biomas brasileiros tem sido muito discutida em âmbito nacional e internacional;

– Gráficos, tabelas, imagens e infográficos podem ser cobrados para verificar a capacidade de interpretação e comparação de dados.

Mais: Faça exercícios de Geografia para testar seus conhecimentos





Fonte

Com professores super atenciosos, o cursinho me abriu uma porta para o futuro e agora estou na melhor universidade do Brasil Rebeca Nilsen, aprovada na USP

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