Como entra uma questão no Enem?


Um dia após o primeiro dia de prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), no domingo passado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou uma questão que falava sobre a diferença salarial entre Marta e Neymar.

Em encontro com apoiadores, ele chamou a questão de “ridícula” e falou que “não tem que ter comparação”, porque, na opinião do presidente, o futebol feminino “ainda não é uma realidade no Brasil”.

A justificativa dada aos apoiadores foi que o banco de questões tinha sido feito em governos anteriores. De fato, para uma pergunta aparecer no Enem, há um processo complexo.

O banco de questões é oficialmente chamado de Banco Nacional de Itens (BNI). Item é como o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pela aplicação do Enem, chama as perguntas.

O Inep publica todo ano um edital de chamada pública específico para selecionar colaboradores para produzir questões para compor o BNI.

Esses colaboradores são treinados para que seu trabalho de elaboração esteja alinhado à matriz de referência do exame e ao guia de revisão de itens. Seu cadastro no banco de colaboradores do BNI tem validade por dois anos, prorrogável por mais dois.

Criada uma questão, ela passa por um revisor técnico-pedagógico, que confere se os critérios esperados foram cumpridos. Se for necessário, modificações são feitas.

Passada a revisão, especialistas das áreas de conhecimentos contempladas pela questão são convidados para avaliar a questão e propor as eventuais modificações. Depois disso, especialistas do próprio Enem fazem a validação.

Depois da longa jornada para receber essa chancela, a questão vai passar pelo chamado pré-teste.

O pré-teste é a aplicação da questão para uma amostra da população brasileira que tem características parecidas com o público-alvo do Enem. É nesta etapa que é avaliado se a questão é muito fácil ou muito difícil, qual a chance de acerto, entre outros parâmetros necessários para compor o índice de cálculo da nota.

Esses dados empíricos sobre a questão se somam a análises pedagógicas para confirmar se os critérios esperados foram observados. As que ficarem pelo caminho são descartadas ou podem voltar etapas para serem aprimoradas.

Só então a questão entra para o BNI e fica disponível para aparecer no Enem.

O BNI também fornece questões para o Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avalia alunos do ensino superior, para o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) e para o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), entre outras avaliações.

Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, uma comissão foi criada pelo Inep para analisar o BNI, identificar e “desaconselhar” questões polêmicas —o que, por si só, gerou polêmica.

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Fonte

Com professores super atenciosos, o cursinho me abriu uma porta para o futuro e agora estou na melhor universidade do Brasil Rebeca Nilsen, aprovada na USP

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