Enem 2020: No 2º dia, estudantes veem química difícil e salas mais vazias – 24/01/2021


Os primeiros estudantes a deixarem a unidade Marquês de São Vicente da Unip (Universidade Paulista), na zona oeste de São Paulo, relataram dificuldades no segundo dia de prova do Enem.

As principais reclamações envolviam o conteúdo de química, considerado por eles como “fora da curva”. A parte complementar do Enem apresenta matérias voltadas à área de exatas. O UOL corrige a prova em parceria com o Objetivo.

Juliana Gonçalves, 24, definiu que o primeiro dia estava muito mais tranquilo. “Quase não tivemos aula no ano”, diz a aluna que se formou no ensino médio na escola pública.

Moradora do Limão, a jovem disse que as questões de química e física foram as mais complexas.

Larissa Evelin, de 17 anos e aluna do ensino público, foi outra a citar química entre as perguntas mais complexas. “Achei complicado demais, ainda mais pelas pessoas que não estudaram no ano passado”, criticou.

Segundo ela, houve ainda mais ausentes do que no primeiro dia, que registrou faltas em torno de 51,5%.

“Faltou mais gente ainda. Tinha 15 alunos da lotação de 40 na minha sala”, disse.

A aluna descreve uma maior preocupação com higienização e distanciamento social durante a parte dois do Enem. “Deixaram uma fileira de carteiras livre entre os alunos, foi melhor do que na semana passada, quando estavam todos juntos.”

Ana Beatriz - Tatiana Campbell/UOL - Tatiana Campbell/UOL

A estudante Ana Beatriz Ramos, 19, quer cursar história e achou cansativo o segundo dia do Enem

Imagem: Tatiana Campbell/UOL

A estudante Ana Beatriz Ramos, 19, quer cursar história. Apesar disso, disse ao UOL que se preparou bastante para a prova de hoje, mas achou as questões bem complicadas.

“Eu sou mais da área de humanas, então para mim exatas é bem difícil. Eu achei a prova bastante complexa, maçante e cansativa de fazer. Estava bem difícil”, disse a estudante.

“Eu notei também que muitas pessoas faltaram. De cerca de 20 [candidatos], só seis fizeram a prova hoje. Acho que grande parte é por causa da pandemia. Os estudos ficaram bem prejudicados e muitos não devem ter se sentido confiantes para fazer a prova”, afirmou.

Moradora da Rocinha, comunidade da zona sul do Rio, Fernanda de Souza, 20, também sentiu mais dificuldade hoje. A carioca falou que as áreas de química e física foram as mais complexas.

“Eu senti dificuldade, até porque a gente está afastado das escolas. Eu não tenho computador em casa. Eu estudei tudo pelo celular e por conta própria, então hoje eu tive mais de dificuldade do que na prova da semana passada. Química e física estavam com perguntas bem chatinhas e era necessário prestar muita atenção”, disse.

Camila de Freitas - Tatiana Campbell/UOL - Tatiana Campbell/UOL

Camila de Freitas se sentiu desconfortável para se alimentar por conta de janelas fechadas e pessoas sem máscaras obrigatórias

Imagem: Tatiana Campbell/UOL

Na PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), na zona sul da cidade, muitos candidatos se queixaram novamente das janelas fechadas por causa do ar-condicionado. Entre eles, Camila de Freitas, 21.

A jovem disse que por causa desse problema se sentiu desconfortável para comer e beber água. A estudante deixou a PUC por volta das 17h.

“Foi complicado! Hoje na minha sala o ar-condicionado ficou ligado novamente. Eles falaram que as pessoas podiam sair para comer, mas todo mundo estava lá comendo, claro, sem máscara com a sala toda fechada. Eu fiquei sem comer e sem beber água por medo. Não me senti bem”, disse a estudante.

Questionada pelo UOL sobre o número ausentes na prova de hoje, Camila disse que no local onde realizou o exame muitas pessoas faltaram.

“O número de ausentes está muito grande. Muitas pessoas não devem ter conseguido se preparar, ficaram com medo e não quiseram arriscar”, acrescentou Camila.

A estudante Jenifer Figueiredo, 20, falou em grande abstenção no Enem - Tatiana Campbell/UOL - Tatiana Campbell/UOL

A estudante Jenifer Figueiredo, 20, falou em grande abstenção no Enem

Imagem: Tatiana Campbell/UOL

A estudante Jenifer Figueiredo, 20, também falou em grande abstenção. “Quem teve acesso à internet, a um lugar para estudar de fato, irá se sair bem na prova. Quem não veio, foram os que não se sentiram preparados”, falou a jovem.

Jenifer questionou alguns protocolos de segurança que não foram cumpridos.

“Eu praticamente conseguia ver a prova inteira de um outro candidato, de tão próxima que fiquei. Na minha sala não teve muito distanciamento. E teve essa questão do ar-condicionado que ligaram e as janelas ficaram fechadas. Me incomodou”, finalizou.

Harry Potter

Outros alunos, porém, definiram o dia como “mais fácil”. Gustavo Magalhães, 18, disse que “pareceu bem mais ágil”. “Não tinha tantas contas, eram mais questões de lógica”, analisa o estudante de escola pública.

Ele cita também uma pergunta baseada na série de livros “Harry Potter”. “Caiu muita pergunta sobre tecnologia e sempre alguma sobre livro famoso”, disse.

Formado em 2019, ele passou na Fatec (Faculdade de Tecnologia de São Paulo), motivo pelo qual quase desistiu de fazer o Enem 2020.

“Vi numa reportagem do UOL que 50% das pessoas inscritas não vieram. Aí acabei vindo. Vai que tiro mil e passo em qualquer faculdade?”

Enem 2020; veja fotos



Fonte

Com professores super atenciosos, o cursinho me abriu uma porta para o futuro e agora estou na melhor universidade do Brasil Rebeca Nilsen, aprovada na USP

Galileo Vestibulares | Área do Aluno

X