Enem Digital é marcado por erros e baixa adesão


O Enem Digital foi anunciado em julho de 2019 como uma iniciativa do Governo Bolsonaro para reduzir os custos do exame. Com duas edições já realizadas, até o momento a versão digital da prova enfrenta problemas e não atrai os estudantes.

Na época do anúncio, o então ministro da Educação Abraham Weintraub afirmou que a intenção era aumentar gradativamente o número de participantes da versão digital até 2026, quando o Enem passaria a ser feito unicamente em computadores e em várias datas. No entanto, não houve aumento de vagas e aplicações de 2020 para 2021.

Em 2020, ano de estreia, o Enem Digital permitiu a inscrição de até 101 mil estudantes do 3º ano do ensino médio ou que já haviam concluído os estudos. Dos 93 mil estudantes que tiveram a inscrição confirmada, apenas 26,7 mil fizeram as provas – uma abstenção de 71,3%

Para esse ano foram mantidas as 101 mil vagas para o mesmo grupo de estudantes. A novidade foi a participação de pessoas que necessitam de atendimento especializado, o que não ocorreu na primeira edição. O Enem Digital 2021 teve 68.892 inscrições confirmadas, mas somente 34 mil estudantes participaram das provas, uma abstenção de 50,1%.

Saiba como funciona o Enem Digital

De acordo com Daniel Cecílio, diretor pedagógico do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante, vários fatores poderiam explicar a baixa procura e grande abstenção. “Um fator pode ser simplesmente o fato dos alunos ainda preferirem o formato tradicional de prova impressa, que estão mais acostumados e, consequentemente, se sentem mais seguros assim”. 

Para o diretor pedagógico, a insegurança em relação ao processo como um todo também acaba afastando os estudantes. No primeiro Enem Digital, muitos participantes relataram problemas nos computadores e alguns tiveram que fazer a prova impressa na reaplicação do Enem.

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Problemas

Os erros que ocorreram no Enem 2020 voltaram a acontecer esse ano. O estudante Clovis de Mello Neto, de 17 anos, participou do Enem Digital em um prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, e relatou que várias salas tinham computadores com problemas. Por conta disso, teve que esperar do lado de fora da sala por uma hora e meia até que pudesse iniciar a prova, às 15h. O tempo de prova foi acrescido.

“Eles iam resolvendo de sala em sala e, quando foi resolver da minha, já tinha passado uma hora e meia. Não foi muito legal. A gente teve que ficar esperando um tempão sem saber de nada, sem saber o que estava acontecendo.” 

Um problema semelhante ocorreu no campus de Petrolina do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IF Sertão), mas não foi resolvido em tempo dos estudantes fazerem a prova. Os participantes prejudicados terão que solicitar a reaplicação até o dia 3 de dezembro.

O Brasil Escola entrou em contato com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para obter uma resposta sobre os problemas do Enem Digital, mas até o momento não fomos respondidos. O espaço segue aberto para o Inep se pronunciar.

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Confiança

Para o estudante Guilherme Filho Silva, de 22 anos, o Inep deveria promover um meio dos estudantes se habituarem com a prova digital antes do Exame Nacional. Ele fez esse ano o Enem pela segunda vez e em nenhuma delas optou pela versão digital. “Eu não optei pelo Enem Digital porque eu me preparei sempre com a prova física. Não estou habituado a fazer provas na tela do computador, nem simulados”.

Aluno do Curso Poliedro, em São José dos Campos, Guilherme comenta que se sente mais seguro com a prova física, porque não depende de uma máquina para conseguir responder as questões com tranquilidade. 

“Se acabar a energia e o computador desligar, como que fica? A prova impressa você tem a garantia que estará na sua mesa. As possibilidades de imprevisto são menores.”

Apesar da desconfiança, Guilherme afirma que poderia fazer a versão digital em uma eventual nova participação. “Na medida que o Inep conseguir contornar os diversos problemas que se tem no ambiente digital, como servidor e computadores funcionando corretamente, a confiança vai aparecer”.

Clovis Neto também daria uma nova chance ao Enem Digital, caso o Inep garanta a segurança da aplicação. “Eu até prefiro a versão digital porque não precisa preencher o gabarito ao final da prova, ganhando mais tempo para as questões”, revela o estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio Positivo.



Fonte

Com professores super atenciosos, o cursinho me abriu uma porta para o futuro e agora estou na melhor universidade do Brasil Rebeca Nilsen, aprovada na USP

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