Qual impacto na prova das demissões em massa de servidores?


Servidores do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) pediram exoneração de seus cargos hoje (8). Dos 31 que saíram, 28 trabalham em áreas diretamente ligadas ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e 22 são coordenadores.

A prova acontece em 21 e 28 de novembro e já está pronta, por isso as datas não devem ser alteradas. Mas as mudanças no organograma em funções estratégicas podem atrapalhar os processos que acontecem após aplicação do exame, como a correção e a divulgação das notas.

Parte desses servidores serviam como uma espécie de “radar”, monitorando possíveis problemas e apontando soluções no dia do exame. Na edição de 2020, houve alguns incidentes que precisaram ser contornados, como salas superlotadas, o que impediu diversos alunos de fazerem o Enem.

Além disso, a operação de aplicação do exame é bastante complexa, com toda uma logística para manter o sigilo das provas. As empresas envolvidas temem inclusive uma falta de interlocução com o instituto após a saída desses profissionais mais experientes.

Também pode impactar no cronograma para a edição de 2022, que deveria começar a ser feito nas próximas semanas.

O UOL apurou que um dos exonerados, por exemplo, tinha a tarefa de acompanhar a empresa terceirizada para a aplicação da prova, para fiscalizar se seriam cumpridos os requisitos e termos acordados em contrato.

Outros servidores faziam parte do envio em tempo real de informações sobre o exame para o Inep, além de estarem envolvidos com a análise das perguntas.

Vestibulares tradicionais contabilizam apenas o número de erros e acertos, atribuindo um valor fixo às questões, mas o Enem funciona diferente. Usa uma metodologia especial, chamada Teoria de Resposta ao Item (TRI).

Neste modelo estatístico, o valor de cada uma das questões varia de acordo com o percentual de acertos e erros dos estudantes naquele item. Assim, os itens que os estudantes acertarem mais serão considerados fáceis e, por essa razão, valerão menos pontos na composição da nota final. Já os itens com menor número de acertos por parte dos estudantes serão considerados difíceis e, por essa lógica, valerão mais pontos. É por isso que é muito comum dois participantes acertarem o mesmo número de itens, mas terem médias finais diferentes no Enem.

Como essa comparação é volumosa e sensível, leva alguns meses para ser feita —normalmente as notas são divulgadas em março do ano seguinte. Ainda não se sabe como essas vagas serão preenchidas ou como esse problema com o know-how desse sistema será resolvido.

Ao todo, o Inep tem 383 servidores. O grupo que entregou os cargos deixa suas funções, mas não a carreira de servidor no órgão.

A reportagem entrou em contato com o Inep e o MEC (Ministério da Educação), mas não obteve resposta.

33 demissões em uma semana

Os pedidos de demissão acontecem de forma coletiva e, segundo o UOL apurou, como uma medida para pressionar pela saída do atual presidente do órgão, Danilo Dupas, que se mantém no cargo pela relação pessoal com o ministro Milton Ribeiro.

Inicialmente, foram confirmadas 13 demissões nesta segunda. Depois, o número aumentou.

Na semana passada o UOL já havia noticiado o pedido de demissão de Eduardo Carvalho Sousa, coordenador de Exames para Certificação, e Hélio Júnio Rocha Morais, coordenador da Logística de Aplicação.



Fonte

Com professores super atenciosos, o cursinho me abriu uma porta para o futuro e agora estou na melhor universidade do Brasil Rebeca Nilsen, aprovada na USP

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