Reaplicação do Enem no AM tem falta de distanciamento e escolas alagadas – 23/02/2021


Filas sem respeito ao distanciamento de 1,5 metro, escolas alagadas no interior e baixa movimentação nas entradas dos locais de prova. O primeiro dia da aplicação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no Amazonas foi também marcado por uma expectativa de alta abstenção.

O estado não participou das versões anteriores do exame devido ao colapso do sistema de saúde e à explosão de casos de covid-19 nos dois primeiros meses do ano. O Enem impresso aconteceu em 17 e 24 de janeiro. O digital ocorreu em 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

O Amazonas entrou direto na reaplicação da prova, hoje e amanhã. Apesar de o estado estar na classificação vermelha (risco alto) da pandemia, o governo liberou a realização do Enem para que os estudantes não perdessem a oportunidade de 2020. Em novembro, o MEC (Ministério da Educação) promete promover o Enem 2021.

Mas foi difícil chegar aos locais da reaplicação. Em Boca do Acre (a 1 km de Manaus), a promotora Miriam Silveira afirmou que as enchentes dos rios Acre e Purus inundaram a cidade e duas das três escolas onde haveria provas do Enem.

Falta de protocolos sanitários

Em Manaus, o IEA (Instituto de Educação do Amazonas), um dos locais de provas mais movimentados em edições anteriores, a chegada de estudantes foi tranquila e sem aglomeração. Na porta, não havia uso de álcool gel nem aferição da temperatura.

Questionado sobre a falta de protocolo para evitar contágio pelo novo coronavírus, o porteiro informou que as medidas estavam sendo tomadas nas salas. Ele disse que as janelas ficariam fechadas e o ar-condicionado seria usado em razão do calor de Manaus, mas que “todos cuidados estavam sendo tomados”. Isso não é recomendado pelas autoridades sanitárias por aumentar o risco de contaminação e diminuir a circulação de ar.

Em faculdades particulares localizadas na avenida Constantinopla Nery, zona centro-sul de Manaus, foram registradas filas antes da abertura dos portões, mesmo com o início antecipado para as 11h30 (horário de Brasília). Apesar de usarem máscaras, os estudantes não mantinham o distanciamento adequado.

Sonho pela medicina

O estudante Ademar Castro Filho - Rosiene Carvalho/UOL - Rosiene Carvalho/UOL

O estudante Ademar Castro Filho, 22, no IEA Centro, em Manaus, para a prova de reaplicação do Enem

Imagem: Rosiene Carvalho/UOL

Ademar Castro Filho, 22, chegou ao IEA Centro, às 10h30, horário de abertura dos portões na cidade. Recebeu da mãe, que o deixou de moto no local, uma garrafa de água gelada e as bênçãos de boa sorte.

Ele sempre frequentou a escola pública porque a família nunca teve condições de arcar com os altos custos do ensino particular. O sonho de entrar para o curso de medicina não foi abalado pela pandemia.

Ele contou que usou várias plataformas de aprendizado pela internet e estava confiante num bom resultado. Um dia antes da prova, fez uma caminhada para relaxar a mente e uma redação para testar o tempo da escrita, uma das exigências do Enem. “Fiz várias redações para testar a forma e tempo. Tenho uma hora para fazer.”

Focado, disse que não levava alimentos nem estava com medo de se contagiar. Para ele, a máscara e o álcool o protegeriam.

Dois, três minutos que se perde comendo é uma questão que deixo de fazer. Tem questão de matemática que demora oito minutos para ser resolvida.
Ademar Castro Filho, estudante que quer medicina

Sarah Regiane - Rosiene Carvalho/UOL - Rosiene Carvalho/UOL

Sarah Regiane chegou cedo ao Enem acompanhada da mãe, a técnica em enfermagem Keila Nascimento, e preferiram ficar isoladas até a hora da prova

Imagem: Rosiene Carvalho/UOL

A estudante Sarah Regiane, 17, chegou cedo ao seu local de prova acompanhada da mãe, a técnica em enfermagem Keila Nascimento, 43.

Optaram por ficar do lado de fora da escola, isoladas do espaço maior movimentação da entrada, até o último momento. Sarah disse que o maior nervosismo dela era sobre os riscos de infecção e estava com a expectativa de que janelas e portas ficassem abertas.

A mãe afirmou que estava lá para dar apoio e calma à filha única, cujo sonho é cursar medicina veterinária. “Como estou direto em hospital, não tenho tanto medo. Sei que precisa tomar cuidado com máscara e álcool gel. Ela, como ficou todo esse tempo só em casa, estava mais nervosa”, disse.

No período de reabertura em Manaus, ela fez cursinho. “Era pouca gente por sala e deu para tentar aprender algum conteúdo”, disse.

A mãe de Sarah afirmou que não via grandes riscos na realização do Enem neste momento em Manaus, onde ainda faltam leitos.

Para ela, o pior foi a movimentação de pessoas no comércio do centro da cidade, na reabertura de lojas ontem. “Eu vi aquela imagem e fiquei sem entender. Aqui, é uma questão de estudo, do futuro deles. Mas sair de casa para comprar supérfluo?”, criticou.

Ajuda e falta de renda

Formada em pedagogia, Thalita Cristina Silva, 24, está desempregada. Tentava uma renda extra vendendo canetas pretas e bombons em frente ao IEA. Para ela, o movimento estava fraco. “Acho que os estudantes ficaram com medos da covid. Vendi R$ 6 de bombom”, contou, meia hora antes de fecharem os portões.

Enquantos os alunos entravam, o estudante Marcelo Augusto Frazão, 21, oferecia canetas doadas e cartazes com dicas para controle da ansiedade. “Já que não foi possível adiar a prova, estamos tentando dar apoio aos alunos”, disse.

Marcelo perdeu o pai de 61 anos em janeiro para covid-19. “Ele que sustentava a casa. Recebo ajuda e também estou aqui ajudando.”

A falta de empatia nas relações sociais é o tema da redação. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, minutos após o início da prova.

O fechamento dos portões ocorre às 13h, com a prova se encerrando às 19h no primeiro dia. No segundo dia, as provas devem encerrar às 18h30. Esses horários considerados são de Brasília. Manaus está uma hora antes no fuso horário.





Fonte

Com professores super atenciosos, o cursinho me abriu uma porta para o futuro e agora estou na melhor universidade do Brasil Rebeca Nilsen, aprovada na USP

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