Retirados da 1ª lista do Vestibular da UFPR criam abaixo-assinado


Choque, desespero, ansiedade, frustração, medo, insegurança e desconfiança são alguns dos sentimentos atuais dos 31 candidatos que foram aprovados no Vestibular 2021 da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no dia 31 de agosto e, 36 horas depois, viram seus nomes sumirem da lista por causa da uma retificação do resultado emitida pela maior federal do Paraná.  

Os vestibulandos que constavam nessa primeira lista foram substituídos por outros nomes. Dessas 31 vagas, 25 são dos dois cursos de Medicina, os mais concorridos do vestibular. 

Na ocasião, a universidade explicou que a lista foi retificada por um erro no processamento das notas após os recursos da prova de redação. Por isso, os nomes dos então aprovados foram substituídos por outros candidatos. 

Mesmo com essa explicação da UFPR, os jovens aprovados na primeira lista realizaram um abaixo-assinado para pedir a garantia das vagas para as quais foram selecionados e a efetivação das suas matrículas.

Justiça

Erykson Santos Juliani, de 27 anos, um dos aprovados na primeira lista para o curso de Medicina, explica que, com o abaixo-assinado, os jovens querem que a UFPR aprove todos estes mais 31 alunos. Ele salienta que o grupo que fez o abaixo-assinado de maneira alguma quer que os outros candidatos aprovados na segunda relação saiam dessa lista.

“Com o abaixo-assinado, queremos mostrar para a UFPR, para o Ministério da Educação ou para a instância que for responsável por abrir essas novas vagas que a gente quer justiça. A população e grande parte das pessoas estão conosco. Contamos com um forte apelo social. Eles têm dever moral de reabrir estas vagas”. (Erykson Juliani)

O vestibulando relembra que o reitor da UFPR disse que tentou de todas as formas absorver os 31 aprovados, mas, segundo ele, não foi possível juridicamente. Para Erykson, sempre se diz que um deve lutar pela lei, porém, quando a lei entra em conflito com a justiça, ele acredita que a justiça deve prevalecer.

“Se a UFPR não tem autonomia para abrir essas 31 vagas, como o reitor falou, então que ele apele para outro órgão acima que tenha essa competência. A nossa expectativa é assumir as vagas para as quais fomos aprovados.” espera o estudante.

Prejuízo psicológico

Erykson chegou a comemorar a aprovação com amigos

Crédito: Arquivo pessoal / Erykson Juliani

Conforme reforçam no abaixo-assinado, os estudantes aprovados na primeira lista do vestibular 2022 da UFPR dizem que esse erro grave certamente gerou consequências psicológicas individuais.

O estudante Erykson relembra que recebeu a notícia da aprovação pela sua namorada, que o parabenizou e pintou seu cabelo de verde, como forma de comemoração. Depois, o jovem contou a notícia para sua família e amigos.

Algumas horas depois, o estudante estava jantando em um restaurante para celebrar a aprovação quando recebeu uma mensagem de um professor informando que a lista tinha sido retificada. 

“Olhei a lista e meu nome não estava mais. Foi um baque! Fiquei bastante triste. Na hora, não pude acreditar e, desde então, não durmo direito, estou bem impactado”, desabafa.

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Erykson reforça que todos os vestibulandos estão preparados para não passar no vestibular. Segundo ele, isso é comum, faz parte do jogo não ser aprovado. Mas, o que aconteceu não foi simplesmente não ser aprovado no vestibular. O jovem analisa que eles aprovaram, deixaram os estudantes 36 horas comemorando. Ele comenta ainda que houve pessoas que desistiram de vagas em outras faculdades de Medicina e que perderam as duas vagas agora.

“Tirararam o nosso direito de lutar pela próxima vaga pelo próximo vestibular porque ninguém mais vai ter cabeça para estudar. Eu não consigo nem dormir, quem dira estudar”, confessa o estudante.

Sonhos virados do avesso

Ana Paula chegou a postar foto na redes sociais comemorando a aprovação na UFPR

“Quando saiu o resultado do vestibular 2021 da UFPR, minha primeira reação foi confirmar se o número da inscrição era o meu mesmo, não conseguia acreditar, mesmo sabendo o quanto lutei e estou lutando pela minha aprovação, queria ter a certeza antes de contar para os meus pais.”, relembra Ana Paula Rodrigues Mendonça, 24 anos, de Curitiba, também da lista dos primeiros 31 aprovados para Medicina.

Quando recebeu a notícia da aprovação, a jovem teve a realização do seu maior sonho sendo concretizado. Para ela, não existia sensação que definisse tamanha felicidade.

Por outro lado, quando saiu a retificação, a curitibana afirma ter vivenciado o momento mais triste dos seus 24 anos. 

“Fiquei desnorteada. senti-me completamente vulnerável, exposta e humilhada. A dor de ver seus sonhos se concretizando em um dia e completamente destruídos em outro é imensurável”, analisa a estudante Ana Paula.

A vestibulanda comenta que, depois da retificação, sentiu-se completamente abalada psicologicamente, sem confiança alguma em si mesma ansiosa, sem conseguir dormir direito e completamente desesperada 

“Agora, não consigo ter expectativa de nada, expectativa gera frustração e em meio a esse cenário caótico no qual fui “lançada” minha autodefesa é deixar as coisas acontecerem e ter fé que conseguiremos justiça e nossas vagas como forma de reparação pelo dano moral e psicológico causados pelo erro da universidade”, deseja a jovem.

Para a Ana Paula, o abaixo-assinado é dar voz aos vestibulandos que tiveram suas vidas e sonhos virados do avesso, buscando a melhor resolução do problema que seria a universidade ofertar as vagas que tinham sido oferecidas.

O que diz a UFPR

O Brasil Escola entrou em contato com a UFPR na tarde desta segunda-feira, 13 de setembro. Confira abaixo a nota divulgada pela instituição:

“A UFPR reitera que parte dos candidatos que foram incluídos indevidamente na primeira lista de aprovados deverão ter seus casos solucionados com as chamadas complementares nos respectivos cursos. Quando aos pleitos judiciais,a UFPR se manifestou no prazo colocado pela justiça”.



Fonte

Com professores super atenciosos, o cursinho me abriu uma porta para o futuro e agora estou na melhor universidade do Brasil Rebeca Nilsen, aprovada na USP

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